Receber um Pug no consultório é sempre uma experiência única que mistura o carisma inegável desses pequenos molossos com a atenção redobrada que nós veterinários precisamos ter com sua fisiologia. Você provavelmente se apaixonou pela expressão quase humana e pelos sons engraçados que eles emitem. Minha função aqui é tirar o jaleco da formalidade excessiva e conversar com você de igual para igual sobre o que realmente significa ter um Pug em casa. Vamos explorar cada detalhe dessa raça que conquista famílias há séculos.
A posse responsável começa com o conhecimento profundo. Muitos tutores chegam à clínica achando que o ronco alto é apenas uma característica fofa ou que a falta de fôlego é preguiça. Precisamos desmistificar esses conceitos para garantir que seu companheiro tenha não apenas uma vida longa mas uma vida com qualidade real. O Pug não é apenas um cão de colo. Ele é um animal com necessidades anatômicas muito específicas que exigem um “pai ou mãe de pet” atento e proativo.
Neste guia vou compartilhar minha vivência clínica diária. Você vai entender o que examinamos quando colocamos o estetoscópio no peito do seu cão e por que insistimos tanto no controle de peso. Esqueça os manuais genéricos que apenas listam cores e tamanhos. Vamos mergulhar na biologia e no comportamento desse cãozinho para que você se torne o melhor tutor possível.
A História Genética e Origem
As raízes na China antiga e a realeza
A linhagem do Pug é uma das mais antigas que conhecemos na cinofilia mundial e remonta à China antiga. Eles não eram cães de trabalho no sentido tradicional de caça ou guarda de rebanho. Sua função biológica e social sempre foi a companhia. Registros indicam que cães de focinho achatado eram reverenciados nas cortes imperiais chinesas. Eles viviam em um luxo que muitos humanos da época não possuíam. Eram protegidos por guardas reais e alimentados com iguarias.
Essa seleção genética focada na companhia explica muito do comportamento que vemos hoje na mesa de exame. O Pug não foi desenhado para correr maratonas ou caçar texugos em tocas. Ele foi moldado para estar próximo ao ser humano. Isso criou uma dependência emocional que está gravada no DNA da raça. Quando seu Pug te segue até o banheiro ele está apenas repetindo um comportamento de séculos de proximidade com imperadores.
Historicamente esses cães eram conhecidos como “Lo-Sze”. A exclusividade era tamanha que apenas a nobreza podia possuí-los. O roubo de um desses animais era punido com a morte em certas dinastias. Entender isso ajuda você a compreender a dignidade quase arrogante que o Pug exibe às vezes. Ele não é apenas um cão engraçado. Ele carrega uma herança de nobreza que exige respeito e um tratamento diferenciado dentro do núcleo familiar.
A migração para a Europa e a Casa de Orange
A rota da seda e as grandes navegações trouxeram o Pug para o ocidente. Foi na Holanda que a raça encontrou sua segunda pátria e ganhou fama política. A Casa de Orange adotou o Pug como o cão oficial da corte. Conta a lenda que um Pug salvou a vida do Príncipe de Orange ao alertá-lo sobre a invasão de tropas espanholas latindo furiosamente. Isso consolidou a raça não apenas como um adorno de colo mas como um guardião leal e atento.
Sua popularidade explodiu na Europa nos séculos seguintes. Eles foram pintados por Goya e tornaram-se acessórios vivos da aristocracia vitoriana. A Rainha Vitória da Inglaterra foi uma grande entusiasta da raça e ajudou a estabelecer o Kennel Club. Durante esse período o intercâmbio genético começou a se fechar mais criando as bases para o padrão racial moderno que utilizamos hoje para avaliação física.
Essa transição da China para a Europa também marcou o início da ocidentalização da raça. Os criadores europeus começaram a focar mais em características estéticas específicas. A busca por uma cabeça mais massiva e um corpo mais compacto se intensificou. O Pug deixou de ser apenas um cão oriental para se tornar um ícone da cultura pet ocidental mantendo sua posição de status e companhia privilegiada.
Mudanças morfológicas ao longo dos séculos
Você precisa saber que o Pug que você tem hoje é anatomicamente diferente do Pug de 100 ou 200 anos atrás. Pinturas antigas mostram cães com focinhos mais longos e pernas mais altas. A seleção artificial focada na estética “achatada” ou braquicefálica intensificou-se drasticamente no último século. O crânio encurtou mas os tecidos moles internos não diminuíram na mesma proporção.
Essa evolução morfológica é o ponto central de quase todas as conversas veterinárias que teremos. O desejo humano por uma face plana trouxe consequências respiratórias que discutiremos a fundo. Como médico vejo essa mudança histórica não como um erro mas como um desafio clínico que precisamos gerenciar. O corpo ficou mais robusto e a “máscara” negra da face tornou-se mais definida.
As dobras de pele também se tornaram mais pronunciadas com o tempo. Originalmente elas eram consideradas marcas de sorte na cultura chinesa assemelhando-se a caracteres de escrita. Hoje elas são uma característica da raça que exige manutenção higiênica constante. A evolução do Pug é um exemplo claro de como a preferência estética humana pode alterar a biologia de uma espécie inteira em um período relativamente curto de tempo.
Padrão Racial e Características Anatômicas
Entendendo o conceito de Multum in Parvo
O lema oficial da raça é a expressão latina Multum in Parvo que significa “muito em pouco”. Isso descreve perfeitamente a estrutura física ideal de um Pug. Ele deve ser um cão pequeno mas com substância. Ao pegar seu Pug no colo você deve sentir uma massa muscular firme e compacta. Ele não deve ser leve ou frágil como algumas raças de cães de companhia.
Essa densidade óssea e muscular é uma faca de dois gumes. Ela confere resistência ao cão mas também coloca muita pressão sobre as articulações se houver sobrepeso. Um Pug saudável tem proporções quadradas. A altura na cernelha deve ser aproximadamente igual ao comprimento do corpo. Essa simetria é o que buscamos para garantir uma mecânica de movimento eficiente e sem dor.
No consultório avaliamos essa robustez apalpando a musculatura das coxas e a largura do peito. Um peito largo é essencial para acomodar o coração e os pulmões permitindo a melhor respiração possível dentro das limitações da raça. Multum in Parvo também se refere à personalidade. É muita personalidade dentro de um corpo pequeno. Eles ocupam o espaço na casa como se fossem cães de grande porte.
A estrutura da cauda e a coluna vertebral
A cauda do Pug é uma de suas assinaturas visuais. Ela deve ser inserida alta e enrolada o mais firmemente possível sobre o quadril. O padrão da raça valoriza a “curva dupla” mas do ponto de vista médico a cauda nos conta muito sobre a coluna vertebral. A cauda em espiral é resultado de uma malformação vertebral intencional na ponta da coluna.
O problema surge quando essas alterações vertebrais aparecem em outros lugares da coluna onde não deveriam estar. Chamamos isso de hemivértebras. Muitos Pugs nascem com vértebras em formato de cunha em vez de formato de carretel. Isso pode causar instabilidade na coluna e compressão da medula espinhal. É vital observar o caminhar do seu cão desde filhote.
Fraqueza nos membros posteriores ou incoordenação não são normais. A cauda deve ser móvel e o cão deve ser capaz de desenrolá-la quando está relaxado ou dormindo. Se a cauda estiver rígida ou se o cão demonstrar dor ao toque na região lombar precisamos investigar. A anatomia única da cauda é linda mas serve como um alerta constante para a saúde ortopédica e neurológica da raça.
Pelagem dupla e as cores aceitas
Muitos tutores se surpreendem com a quantidade de pelo que um Pug solta. A explicação está na anatomia da pelagem. Eles possuem pelagem dupla composta por um subpelo macio e denso e um pelo de cobertura mais duro. Essa estrutura servia para proteção térmica mas dentro de um apartamento moderno significa que você terá pelos em todos os móveis. A queda é contínua e se intensifica nas trocas de estação.
As cores aceitas oficialmente são o fulvo (em várias tonalidades de abricó a prateado) e o preto. A cor fulva deve ter um contraste nítido com a máscara negra e as orelhas. Existe uma linha escura chamada “trace” que corre da nuca até a cauda que é muito desejável no padrão. Pugs pretos são menos comuns e muitas vezes possuem uma pelagem única sem subpelo tão denso o que pode reduzir a queda.
Do ponto de vista dermatológico a cor pode influenciar a saúde da pele. Cães de pelagem clara como o fulvo podem ser mais propensos a problemas solares se tiverem pelagem rala. A manutenção dessa pelagem exige escovação frequente não apenas para estética mas para remover o pelo morto e permitir que a pele respire. O acúmulo de subpelo morto e umidade é o ambiente perfeito para fungos e bactérias.
Comportamento e Temperamento no Consultório
O apego excessivo e a ansiedade de separação
Pugs são o que chamamos de “cães de velcro”. Eles não foram criados para serem independentes. A felicidade deles depende da proximidade visual e física com o tutor. No consultório é comum ver o Pug ignorar completamente minha presença e focar apenas no dono buscando colo e proteção. Esse vínculo é a maior qualidade da raça mas também seu calcanhar de Aquiles emocional.
A ansiedade de separação é uma queixa frequente na clínica comportamental. Pugs deixados sozinhos por longos períodos podem desenvolver comportamentos destrutivos latidos excessivos ou até dermatites por lambedura psicogênica (lamber a pata por estresse). Você não deve adquirir um Pug se sua rotina envolve passar 10 ou 12 horas fora de casa todos os dias sem que o cão tenha companhia.
O manejo dessa ansiedade deve começar cedo. Acostumar o filhote a ficar curtos períodos sozinho e enriquecer o ambiente com brinquedos inteligentes é fundamental. Eles precisam entender que a sua saída não é um abandono definitivo. A dependência emocional é fofa no início mas pode se tornar patológica se não for dosada com momentos de independência saudável.
Interação com crianças e outros animais
Geralmente o Pug é uma das raças mais seguras e recomendadas para famílias com crianças. Eles possuem uma tolerância à dor física mais alta e não são reativos. Puxões de orelha acidentais ou brincadeiras mais brutas de crianças pequenas raramente resultam em agressividade por parte do cão. Eles tendem a encarar a brincadeira como diversão ou simplesmente se retiram se estiverem incomodados.
Com outros cães eles costumam ser pacíficos e até submissos. Não possuem instinto de caça aguçado o que facilita a convivência com gatos e animais menores. O maior risco na interação com outros cães é a ingenuidade do Pug. Eles muitas vezes não leem bem os sinais de agressividade de outros cães e podem se aproximar de forma invasiva querendo brincar.
Outro ponto de atenção são os olhos. Em brincadeiras com gatos ou cães maiores os olhos proeminentes do Pug estão em risco constante de arranhões ou traumas. Sempre supervisione as interações. O temperamento bonachão do Pug faz dele um excelente diplomata em parques e creches caninas desde que o nível de energia dos companheiros seja compatível com o dele.
Inteligência funcional versus obediência
Não espere que seu Pug ganhe competições de obediência de alto nível como um Border Collie. A inteligência deles é diferente. Costumo dizer que eles possuem uma “inteligência seletiva”. Eles aprendem muito rápido o que lhes interessa como onde fica o pote de biscoitos ou como abrir uma porta. Mas podem ser teimosos quando o comando não traz uma recompensa imediata e clara.
O treinamento deve ser sempre baseado em reforço positivo. Punições ou gritos não funcionam com Pugs. Eles são sensíveis ao tom de voz e podem se fechar emocionalmente se forem tratados com rispidez. A comida é a melhor moeda de troca. Um Pug fará praticamente qualquer coisa por um petisco de alta qualidade. Use isso a seu favor para ensinar comandos básicos de segurança.
A teimosia muitas vezes é confundida com burrice o que é um erro crasso. Eles estão testando seus limites e avaliando se vale a pena obedecer. A consistência é a chave. Se você ceder uma vez ao olhar pidão ele aprenderá que a regra é flexível. Mantenha as regras da casa claras e inegociáveis mas sempre com gentileza e paciência.
A Síndrome Braquicefálica Explicada
Anatomia das vias aéreas e o palato mole
Chegamos ao tópico mais crítico da saúde do seu Pug. A Síndrome das Vias Aéreas dos Braquicefálicos é um conjunto de alterações anatômicas causadas pelo encurtamento do crânio. Imagine que todas as estruturas internas do focinho de um lobo (nariz, cornetos nasais, palato) foram espremidas em um espaço minúsculo. O tecido mole sobra e obstrui a passagem do ar.
O palato mole alongado é o vilão mais comum. O “céu da boca” se estende demais para trás e entra na laringe vibrando a cada respiração. É isso que causa o ronco. O ronco não é normal. Ele é o som da turbulência do ar tentando passar por uma via obstruída. Em casos graves o palato bloqueia a entrada de ar causando engasgos e cianose (língua roxa).
A avaliação do palato geralmente requer sedação para uma visualização direta da laringe. Se o seu cão ronca acordado ou tem intolerância severa ao exercício precisamos investigar. A correção cirúrgica para encurtar o palato (palatoplastia) pode mudar a qualidade de vida do animal permitindo que ele respire livremente pela primeira vez.
Estenose das narinas e correção cirúrgica
Olhe para o nariz do seu Pug agora. As narinas são abertas como dois círculos ou são fechadas como duas fendas verticais apertadas? A maioria dos Pugs nasce com estenose de narinas que é o estreitamento da abertura nasal. Isso obriga o cão a fazer muita força para puxar o ar criando uma pressão negativa dentro do peito que pode colabar a traqueia a longo prazo.
Essa condição é facilmente corrigível. A cirurgia de rinoplastia para cães amplia a abertura das narinas. É um procedimento relativamente simples que costumo recomendar fazer junto com a castração enquanto o animal já está anestesiado. A diferença no pós-operatório é visível. O cão passa a ser mais ativo dorme melhor e tolera mais o calor.
Não espere o cão ficar idoso para considerar isso. Quanto mais tempo ele respira com dificuldade mais alterações secundárias ocorrem no sistema respiratório e cardíaco. A respiração forçada constante pode levar a problemas gástricos como gastrite e refluxo devido à aerofagia (engolir ar) e à pressão abdominal. Abrir as narinas é dar fôlego de vida ao seu pet.
Hipertermia e a regulação de temperatura
Cães não suam como nós. Eles trocam calor ofegando. O ar entra pelo nariz passa pelas mucosas úmidas e resfria o sangue. Como o Pug tem o nariz curto e as vias aéreas obstruídas esse sistema de “ar condicionado” interno é falho. Eles são extremamente ineficientes em baixar a temperatura corporal.
Isso os torna alvos fáceis da hipertermia ou golpe de calor. Uma caminhada ao meio-dia no verão brasileiro pode ser fatal para um Pug. Se a temperatura corporal subir acima de 40°C os órgãos internos começam a entrar em colapso. Os sinais são respiração ruidosa excessiva gengivas vermelho-tijolo ou roxas e desmaio.
Você deve tratar o calor como um inimigo. Passeios apenas nos horários frescos da manhã ou da noite. Mantenha água fresca sempre disponível. Tapetes gelados e ar condicionado são grandes aliados. Nunca deixe um Pug dentro do carro nem por cinco minutos. A morte por hipertermia é rápida e trágica e infelizmente atendo casos assim todo verão.
Principais Desafios Dermatológicos e Oftálmicos
O manejo da intertrigo nas dobras faciais
A “ruguinha” acima do nariz é charmosa mas é uma estufa biológica. O atrito de pele com pele cria calor e umidade. A falta de ventilação favorece o crescimento de fungos (Malassezia) e bactérias. Essa inflamação das dobras chama-se intertrigo. Se você sentir um cheiro azedo vindo do rosto do seu Pug provavelmente a infecção já está instalada.
A limpeza deve ser diária ou no mínimo a cada dois dias. Use lenços umedecidos veterinários com clorexidina ou soro fisiológico e gaze. O segredo não é apenas limpar mas secar. A umidade residual é o que alimenta o fungo. Seque bem a dobra após a limpeza. Se a pele estiver vermelha ou ferida traga ao consultório para prescrevermos pomadas específicas.
A prega nasal as vezes é tão grande que toca o globo ocular causando úlceras. Em casos extremos onde a infecção é crônica e não responde ao tratamento tópico podemos recomendar a cirurgia de ressecção da dobra (plastica facial) para remover o excesso de pele e resolver o problema definitivamente.
Úlceras de córnea e a exposição ocular
Os olhos do Pug são grandes e inseridos em órbitas rasas. Isso significa que eles estão “quase para fora”. As pálpebras muitas vezes não fecham completamente durante o sono (lagoftalmo) deixando uma faixa da córnea exposta e seca. O ressecamento leva à ceratoconjuntivite seca (olho seco) e pigmentação da córnea (mancha escura que cega).
Qualquer trauma mínimo pode virar uma úlcera grave. Um cisco um arranhão da própria unha ou vento forte podem ferir a córnea. O Pug não tem o focinho longo para proteger os olhos de choques frontais. Fique atento a sinais como piscar excessivo olho fechado remela excessiva ou mancha azulada no olho.
O olho seco é tratado com lubrificantes e imunomoduladores pelo resto da vida. O teste de Schirmer que mede a produção de lágrima deve fazer parte do check-up anual. Proptose (quando o olho salta para fora da órbita) é uma emergência veterinária real em Pugs causada por contenção excessiva no pescoço ou traumas na cabeça. Use sempre peitoral nunca coleira de pescoço.
Alergias alimentares e atopia
Pugs são “cães alérgicos” por excelência. A atopia é uma alergia ambiental a ácaros pólen ou bolor que se manifesta na pele. Eles coçam as patas esfregam o rosto no tapete e têm otites (infecções de ouvido) recorrentes. A pele fica vermelha escura e espessa com o tempo (liquenificação).
A alergia alimentar também é comum. Proteínas como frango ou carne bovina são os alérgenos mais frequentes. O diagnóstico envolve dietas de eliminação com rações hipoalergênicas. Não tente adivinhar o que causa a alergia trocando a ração por conta própria várias vezes. Isso só atrapalha o diagnóstico.
O controle da coceira é vital para o bem-estar. Hoje temos medicações modernas que bloqueiam o ciclo da coceira sem os efeitos colaterais dos corticoides antigos. Banhos semanais com shampoos terapêuticos ajudam a restaurar a barreira cutânea e remover alérgenos do corpo do animal.
Nutrição Clínica e Controle de Peso
O metabolismo lento e risco de obesidade
O Pug ama comer. Ele vai te convencer de que está morrendo de fome dez minutos depois de ter jantado. Mas o metabolismo deles é lento e a capacidade de exercício é limitada pela respiração. Essa equação resulta em uma facilidade imensa para ganhar peso. Um quilo a mais em um Pug equivale a dez quilos a mais em um humano.
A obesidade agrava todos os problemas da raça. A gordura se acumula no peito e pescoço comprimindo ainda mais as vias aéreas. Ela sobrecarrega a coluna e as articulações do quadril e joelhos. Manter o Pug magro é a medida de saúde preventiva mais importante que você pode tomar. Você deve ser capaz de sentir as costelas dele facilmente ao passar a mão mas não vê-las.
Monitore o peso mensalmente. Use uma balança de cozinha para pesar a ração em gramas. Copos medidores são imprecisos. Se o peso subir reduza a quantidade imediatamente. Não deixe comida à vontade. Estabeleça horários fixos para as refeições para regular o metabolismo e o funcionamento intestinal.
Escolha da ração e suplementação
Prefira rações Super Premium ou Naturais específicas para raças pequenas ou para cães com tendência à obesidade. Essas rações possuem mais fibras e proteínas de alta qualidade ajudando na saciedade sem excesso de calorias. O tamanho do grão deve ser adequado para estimular a mastigação e evitar que o cão apenas engula a comida inteira.
Suplementos como condroitina e glicosamina são muito bem-vindos para proteger as articulações. O uso de ácidos graxos ômega 3 (óleo de peixe) ajuda tanto na saúde articular quanto na qualidade da pele e pelagem atuando como um anti-inflamatório natural. Converse com seu veterinário sobre a dose correta.
Evite rações muito gordurosas pois Pugs podem ter sensibilidade digestiva. Fibras prebióticas na fórmula ajudam a reduzir a formação de gases (flatulência) que é uma queixa comum dos donos de Pugs. Um intestino saudável reflete diretamente na imunidade e na pele do animal.
O perigo dos petiscos humanos
Aquele pedacinho de queijo ou pão parece inofensivo mas é uma bomba calórica. Além disso alimentos humanos ricos em sal e temperos podem causar pancreatite e gastroenterite. Uvas chocolate cebola e macadâmia são tóxicos. Pugs são curiosos e aspiradores de chão; cuidado com o que cai na cozinha.
Se quiser agradar use petiscos funcionais e de baixa caloria. Pedaços de cenoura crua maçã (sem semente) ou abobrinha cozida são ótimas opções se o cão aceitar. Desconte as calorias do petisco da quantidade total de ração do dia. O petisco deve ser uma recompensa ocasional de treino não uma rotina.
Eduque as visitas e as crianças. Muitas vezes o Pug engorda porque ganha comida escondida da avó ou do filho pequeno. Todos na casa precisam estar alinhados com a dieta do cão. O amor deve ser demonstrado com passeios e carinho não com comida.
O Paciente Geriátrico: Cuidados com o Pug Idoso
Manejo da Hemivértebra e Displasia
Conforme o Pug envelhece as consequências da sua estrutura óssea aparecem. A displasia coxofemoral (encaixe imperfeito do quadril) e os problemas de coluna causados pelas hemivértebras geram dor crônica e perda de mobilidade. O cão pode ter dificuldade para levantar escorregar em pisos lisos ou arrastar as patas traseiras.
O tratamento é multimodal. Usamos analgésicos controle de peso fisioterapia e acupuntura. A fisioterapia é excelente para manter a massa muscular que sustenta as articulações. Não espere o cão parar de andar para buscar ajuda. Sinais sutis como relutância em subir no sofá já indicam dor.
Em casos neurológicos mais graves chamados de Mielopatia do Pug o cão pode perder progressivamente a função das patas traseiras sem sentir dor. O uso de cadeirinhas de rodas pode devolver a autonomia e a alegria de viver para esses idosos permitindo que continuem passeando e cheirando a grama.
Incontinência e degeneração nervosa
Junto com os problemas de coluna pode vir a incontinência urinária ou fecal. O cão não faz as necessidades dentro de casa “de propósito” ou por birra. O comando nervoso que controla os esfíncteres está falhando. Brigar com o cão idoso por isso é cruel e inútil.
O manejo envolve higiene frequente uso de fraldas caninas e tapetes higiênicos espalhados pela casa. Mantenha a região genital limpa e seca para evitar assaduras. Existem medicações que podem ajudar a melhorar o tônus do esfíncter urinário em alguns casos.
A degeneração cognitiva (Alzheimer canino) também pode ocorrer. O cão pode ficar desorientado trocar o dia pela noite ou ficar preso em cantos. Enriquecimento ambiental suplementos antioxidantes e paciência são os tratamentos. Mantenha a rotina previsível para reduzir a ansiedade do idoso.
Adaptações ambientais para a terceira idade
Sua casa precisa mudar para acomodar o Pug sênior. Pisos lisos de porcelanato ou madeira são inimigos. Espalhe tapetes de borracha ou yoga mats para criar caminhos antiderrapantes. Isso dá segurança para o cão caminhar e evita lesões por escorregões.
Use rampas ou escadinhas para acesso ao sofá e à cama. O impacto da descida (pulo) é terrível para a coluna e articulações dianteiras. Eleve os potes de comida e água para que ele não precise abaixar tanto o pescoço e carregar o peso nos ombros artríticos.
Mantenha a cama do cão em local aquecido e longe de correntes de ar pois a termorregulação piora com a idade. O conforto térmico e ortopédico da cama é essencial. Invista em camas ortopédicas de espuma viscoelástica que distribuem o peso uniformemente e aliviam os pontos de pressão.
Quadro Comparativo de Raças
Muitas vezes o tutor fica em dúvida entre o Pug e outras raças braquicefálicas de pequeno porte. Preparei este quadro para ajudar você a visualizar as diferenças práticas no dia a dia.
| Característica | Pug | Buldogue Francês | Boston Terrier |
| Nível de Energia | Baixo a Moderado. Prefere cochilos e caminhadas curtas. | Moderado. Tem “explosões” de energia (zoomies) e gosta de brincar mais bruto. | Alto. É o mais atlético e ágil dos três, precisa de mais atividade. |
| Temperamento | “Sombra”, palhaço, muito apegado e calmo. Raramente late. | Teimoso, brincalhão, pode ser territorial ou dominante com outros cães. | Inteligente, alerta, amigável e fácil de treinar. Menos teimoso. |
| Saúde (Foco) | Olhos (úlceras), Pele (dobras) e Obesidade. Respiração crítica. | Coluna (hérnias), Alergias de pele severas e Respiração. | Olhos (catarata/úlceras) e Luxação de patela. Respiração um pouco melhor. |
| Manutenção | Alta queda de pelo (pelagem dupla). Limpeza diária de dobras. | Queda de pelo moderada (pelo curto). Limpeza de dobras e cauda. | Baixa queda de pelo. Manutenção mais simples, quase sem odor. |
Ter um Pug é assumir um compromisso com um ser que te amará incondicionalmente. Eles exigem trabalho veterinário e cuidado doméstico acima da média mas retribuem com uma lealdade e um carinho que poucas raças conseguem igualar. Cuide das vias aéreas controle o peso e limpe as dobras. Fazendo o básico bem feito você terá um companheiro saudável e feliz por muitos anos.

